Há mulheres que nasceram para serem mães. Têm aquele lado terno, aquele jeito para crianças, sabem ser justas, ponderadas, ter paciencia para os filhos, ter tempo para eles, estar com eles... enfim todas essas coisas que é preciso para ser mãe.
Há outras que não. serem mães simplesmente não é a vocação delas, não lhes faz parte da genética.
A minha, por muito que me custe, faz parte deste ultimo grupo, não lhe está na genética, se há coisa que não deveria ter sido, é mãe. muito menos de 3filhos.
Porque há aquelas mulheres que têm consciencia de que não teriam jeito nenhum para a coisa e admitem desde cedo que não querem ter filhos, que essa não é a vocação delas.
E, por muito que muita gente não goste de ouvir uma mulher a dizer que não quer ter filhos (resultado de anos e anos de obrigações morais que a igreja catolica impunha à mulher), pura e simplesmnete por opção, acho isso mil vezes preferivel do que mulheres como a minha mãe que não têm a minima vocação para a coisa, terem filhos. Ainda para mais três.
Sim, pode ser horrivel dizer isto da minha mãe, mas como nos meus pequenos e longos 22anos de vida eu fui mais mãe dela do que ela minha, tenho direito de o dizer. Se calhar há almas susceptiveis que acham que não se deve dizer isto, porque mãe é mãe.
Mas mães também são aquelas que carregam o filho nove meses para o abandonar logo pós-parto num caixote do lixo e, não é por isso que são mães.
Porque mãe é quem cuida, quem ama, quem está lá, quem castiga quando é preciso mas, também sabe valorizar-nos, é quem nos dá mimo, nos dá colo, nos limpa as lágrimas, que nos conta histórias e brinca connosco, e nos ensina, e nos dá valores, e todas essas coisas e mais algumas.
Ora eu não tive nada disso. A minha avó materna sente-se magoada quando digo que a minha mãe é só minha mãe porque me carregou nove meses, e porque está no papel, e porque me habituei a chama-la de mãe em 16anos e mais umas temporadas em que vivi com ela.
Eu posso dizer que fui mãe dela, porque cuidei dela, ajudei-a, tive lá, amei-a, limpei-lhe as lágrimas, dei-lhe colo, dei-lhe mimos, consolei-a, tentei mostrar-lhe como ser justa e quais os melhores valores morais a seguir. Não valeu de nada.
Fui mãe dela e mãe dos meus irmãos, fiz das tripas coração e, por eles arranjei sempre desculpas para a desculpar uma, e, outra vez.
Ao fim de 22anos, quase 23 já devia ter percebido que não vale a pena, porque nunca valeu e no meio de tudo quem sai sempre mal sou eu, que me tento desdobrar em mil para agradar a todos. o meu irmão há muito que desistiu dela, a minha irmã está lá e, vai fazendo o mesmo que eu fiz.
E, um dia, provavelmente estará também tao magoada como eu. infelizmente nada há a fazer.
Por tudo isto e mais ainda, sei que há mulheres que não nasceram para ser mães, não lhes está no sangue. prefiro as que assumem isso logo à partida do que as que mesmo sabendo que essa não é a vocação delas, acabam por se tornar tentativas falhadas de serem mães, (no caso da minha, 3tentativas falhadas).
O que acham d assunto? É assim tão horrivel dizer-se que não se quer ter filhos ou é preferivel tê-los e não ser a mãe que eles precisam?
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